Nos dias 21 e 22 de agosto tive a honra de participar do Congresso Paulista do CBC, a instituição de Cirurgia mais longeva do país, para debater e construir conhecimento sobre hérnias com colegas muito queridos e muito relevantes.
Discutimos um caso clínico complexo de uma paciente portadora de dor crônica há 20 anos após cirurgia de hérnia inguinal, de muito difícil resolução.
A inguinodinia é a dor crônica na região da virilha que persiste por mais de oito semanas ou três meses após uma cirurgia de correção de hérnia inguinal (herniorrafia). Ela costuma ter caráter neuropático devido a irritação ou lesão de nervos locais, limitando as atividades físicas do paciente.
A princípio, o tratamento é sempre o menos invasivo possível: medicação via oral, bloqueio locais (anestesia local), fisioterapia, acupuntura, psicoterapia… Porém, em uma parcela dos casos, nenhuma dessas alternativas é viável para que o paciente tenha uma qualidade de vida adequada, podendo desfrutar de vida social, familiar e laboral. Nestes casos, a cirurgia de trineurectomia é uma possibilidade. Através dela, consegue-se melhora da dor em aproximadamente 70% dos casos.
No entanto, o procedimento não é isento de complicações e deve ser conduta de exceção, já que também impõe dificuldade técnica.
Discutir temas difíceis em alto nível com profissionais qualificados e dedicados ao cuidado da parede abdominal acrescenta muito à expertise e aprimora o cuidado com o paciente.

